Em Castlevania ReBirth a Transylvania volta a estar nas mãos do tirano Conde Dracula, que regressa 100 anos após ter sido derrotado pela família Belmont. Felizmente, a linhagem desta família acaba sempre por originar novos dotados caçadores de vampiros, e Cristopher, a personagem do jogo, é o mais recente. E temos assim o nosso motim para entrarmos no castelo de Dracula para pormos fim a mais uma das suas tentativas de absorver Transylvania para um mundo de trevas e escuridão.
Como já mencionei, toda a mecânica de Castlenia ReBirth está muito sustentada nos alicerces da trilogia inicial da série, e contamos com muitos dos elementos bons e frustrantes que caracterizaram esses jogos. Esperem portanto uma exigência bastante elevada a nível de dificuldade, que acaba por ser amenizada pelos
Continues infinitos que temos à nossa disposição. No entanto, apenas temos três vidas, e se as gastarmos todas seremos obrigados a recomeçar o nível do inicio, ao invés de sermos colocado no mais recente
save point que atravessamos. Ao todo são cinco os níveis disponíveis em Castlevania ReBirth, sendo o sexto apenas a batalha contra o Conde Dracula, e ao longo de todos seremos constantemente bombardeados com novos tipos de desafios e inimigos, o que eventualmente acabará por se transmitir em numerosas mortes da nossa parte.
Neste ressuscitar no WiiWare, certas características
old school foram mantidas, como quando somos empurrados para traz depois de termos sofrido dano, ou quando somos obrigados a saltar da ponta mais extrema de uma plataforma para evitar a nossa queda. De facto, a nossa margem de erro é extremamente reduzida, e qualquer distracção leva a um fim trágico. Muitos jogadores que não tenham vivido uma geração mais longínqua poderão achar Castlevania ReBirth um pouco arcaico inicialmente, mas assim que se habituarem e consciencializarem do tipo de atenção que o jogo pede do jogador, vão rapidamente ver-se vidrados e totalmente imergidos por uma jogabilidade que é difícil, mas que acaba por nos dar aquele bichinho de que temos de concluir a aventura só para provar que o conseguimos. É um estilo que à muito morreu nesta indústria, mas que é esporadicamente revitalizado com este tipo de projectos. O culminar da nossa sessão de jogo, depois de termos enfrentado tantos inimigos, depois de termos ultrapassado tantas
cheap deaths sem termos um autêntico ataque de raiva, é de grande alivio e dever cumprido. Ver-se a sequência final de créditos num jogo destes é sentido de uma maneira diferente.
As boss battles exigem a memorização de certos padrões de ataque.
Depois de terminada a aventura, nada mais teremos a fazer se não repetir o mesmo processo novamente. Apesar de Castlevania, na minha opinião, não ser um jogo frenético que incite assim tanto à repetitividade (como por exemplo Contra), a sua abordagem mais estratégica e de paciência acabou por ser explorada de uma maneira diferente pela Konami. Para além dos habituais modos de dificuldade que alteram bastante os níveis de jogo, acrescentando mais inimigos nos sítios mais inconveniente e dando um desafio ainda mais sólido, temos ainda a possibilidade de ligar a opção clássica que limita os movimento de Cristopher. Neste modo, não podemos direccionar o nosso salto quando estamos em pleno ar, e podem ter a certeza que esta pequena variante altera praticamente tudo. Basicamente temos à nossa disposição diversas formas de nos torturarmos em nova partida. Os níveis estão cronometrados por um tempo limite de poucos minutos, mas seremos quase sempre obrigados a repeti-los diversas vezes até sermos bem sucedidos. Mesmo assim, Castlevania ReBirth acaba por ser um jogo bastante curto, que podemos passar em pouco mais de uma hora, mas que felizmente acaba por ser muito divertido nesse pouco tempo que dura.
Um aspecto que me desiludiu foi a falta de optimização dos controlos. Se estiverem a jogar com o Wii Remote na horizontal, os botões 1 e 2 controlarão o vosso salto e o vosso chicote, mas para efectuarem o ataque secundário terão de pressionar o botão de acção, mais o direccional para cima. Compreensível num comando com um número limitado de botões como o Wii Remote. Mas Castlevania ReBirth tem também suporte para Classic Controller e Gamecube Controller, porém, esta vantagem não é aproveitada da melhor maneira. Tratando-se de dois comandos com uma disposição de botões já mais avançada, seria de esperar que pudéssemos atribuir a função de ataque secundário a outro botão, mas tal não acontece, o que revela alguma falta de cuidado neste campo.
Os cenários de fundo ainda têm a sua beleza e são um dos melhores registos gráficos do jogo.
Sonoramente adorei Castlevania ReBirth. A maioria das músicas lendárias da franquia estão presentes, em remixes muito bem feitos e que dão novo alento a uma banda sonora que já foi utilizada em outros tempos, mas que acaba por ganhar um novo toque com diversas mudanças de tom. No entanto, e mesmo face a estas mudanças, a sua qualidade não ficou minimamente afectada, pelo contrário, e os fãs de longa data vão-se sentir em casa enquanto os mais novos serão imergidos num verdadeiro ambiente aventureiro e algo mórbido, sempre acompanhados por faixas musicais que há muito deixaram a sua marca nesta indústria.
Graficamente, o jogo segue o mesmo estilo dos outros projectos ReBirth da Konami, ou seja, um ambiente 16-bit que poderia ser mais detalhado, mas que ajuda a recriar esta viagem ao passado. A acção é extremamente fluida, e os inimigos possuem alguns detalhes engraçados. O background dos cenários é o melhor aspecto a realçar, mas toda esta componente acaba por se mostrar mais num campo satisfatório, e visa maioritariamente garantir um ambiente retro ao título WiiWare. Dentro desses parâmetros, o dever foi cumprido.