Plataforma: Wii
Lançamento: Outubro 2008
Editora: Nintendo
Produtora: Monolith Software
Género: Acção
Multiplayer: 1 jogador
Depois de muita expectativa gerada ao longo de meses, eis que finalmente Disaster: Day of Crisis aterra em solo europeu. Envolto num misto de alegria da nossa parte, e de frustração do lado americano, o que é certo é que finalmente vemos um jogo com um certo carisma ser prioritariamente lançado na Europa.
Disaster havia sido anunciado pela primeira vez em 2006, suportado por um conceito inovador baseado em catástrofes naturais. É claro que com tantos trailers alusivos a esse tema, muita gente não conseguiu ficar indiferente ao enorme potencial apresentado, e à adrenalina que seria de esperar de toda a experiência de jogo.
Será que conseguiu cumprir a sua premissa?
Ao longo de toda a acção iremos controlar Ray, um membro da equipa de resgate de situações de emergência que tem uma estranha tendência de querer salvar tudo e todos. Com a morte do seu companheiro no inicio da história, eis que Ray no momento anterior a essa tragédia promete ao seu amigo cuidar da irmã do mesmo caso aconteça algo a ele. Surpresa das surpresas, Susan acaba mesmo por se meter em sarilhos quando é raptada por um grupo de veteranos de guerra de nome SURGE, juntamente com o professor para quem ela trabalhava e que conseguia de alguma forma prever o clima. Os planos dessa organização consistem em aproveitar todo o ambiente catastrófico para roubar ogivas nucleares e ameaçar o governo de maneira a obter uma quantia exorbitante de dinheiro. Quanto às suas razões, deixo para vocês descobrirem.

Cenas cinematográficas de alto nível.
É de realçar que todo o jogo se apoia em grande parte na narrativa cinematográfica digna de qualquer filme de Holywood. De facto, apesar de tudo se passar duma forma algo cliché, o certo é que Disaster acaba por cumprir muito bem neste campo, apresentando uma história que de certa forma inova nas partes das catástrofes e ao mesmo tempo rouba algumas ideias aqui e ali de qualquer filme de acção de qualidade que vamos vendo semanalmente. Se por um lado isto traz um certo toque de classe ao jogo, por outro vemos um imenso número de sequências de filme que interrompem constantemente a acção, mas o problema dessa quebra não está necessariamente no relato da história, mas no maior defeito de todos do jogo que aliado a isto torna a situação simplesmente ridícula. Defeito esse que será referido mais à frente.
A jogabilidade de Disaster está bastante simples mas ao mesmo tempo o uso do potencial do wiimote está lá por completo. Posso mesmo dizer que são poucos, senão nenhum, o jogo que consiga fazer frente ao próprio Disaster neste mesmo campo. Sendo Disaster uma mistura de diversos estilos de jogo, é incrível como a Monolith Soft conseguiu providenciar uma experiência de controlos quase que perfeita. Teremos fases shooter on rails, condução, e a pé enquanto socorremos pessoas das mais diversas situações.

Wiimote aproveitado ao máximo.
De todas estas vertentes a que mais se destaca é seguramente a de shooter e é a que acaba por responder melhor aos nossos comandos e por assegurar uma diversão mais acentuada. Muito ao estilo do velhinho Time Crisis, só temos de nos preocupar em abater os inimigos enquanto nos protegemos dos tiros dos mesmos graças aos demais locais de cobertura espalhados pelo terreno. A acompanhar a tradicional jogabilidade, o nosso personagem conta ainda com uma opção de “Focus” em que fazemos zoom à imagem por um tempo limitado de maneira a facilitar os Headshots, que na maioria das vezes matam instantaneamente os inimigos e nos garantem mais pontos. O único defeito que de certa forma coloco a estas fases do jogo, é a muito fraca IA inimiga, já que os soldados em grande parte das vezes se limitam a ficar parados enquanto carregam a sua arma. Por outro lado, a habitual repetitividade da mecânica de jogo que na maioria destes jogos se vê é de algum modo afastada graças à diversidade de cenários em que nos envolvemos nos tiroteios e a um bom número de batalhas mais exigentes contra bosses.

A componente shooter do jogo é sem duvida a mais divertida, estando muito bem conseguida.
Já as secções de condução foram algo que me conduziram a uma imensa interrogação da primeira vez que as vi. Neste tipo de jogos abrangentes, o calcanhar de Aquiles da jogabilidade está, na maioria das vezes, localizada nos controlos de veículos. No caso de Disaster, não estamos isentos de falhas, mas confesso que poderia ser bem pior. Porém, toda a sensação de falta de polimento que sentimos ao longo de toda a nossa aventura, e o sentimento de que estamos a jogar algo inacabado, abate-se por completo na área da condução. Logo na componente gráfica podemos observar modelos muito fracos dos veículos que podiam e deviam estar bem melhores. Juntem a isto alguns problemas de colisão, e têm os problemas que limitam e muito a qualidade desta parte do jogo. O carro propriamente dito, até que se controla de uma maneira decente, mas também não posso deixar de referir a gritante falta de sensação de velocidade. Quando estamos a conduzir o veículo prego a fundo, esperamos obter resposta, mas limitamo-nos a ver um triste arrastar pela estrada fora enquanto gritamos para a televisão à espera que o carro milagrosamente vá mais rápido. A própria Monolith Soft conseguiu chegar ao cúmulo de colocar o conta-quilómetros a indicar uma velocidade que não é a máxima, enquanto temos claramente o botão pressionado a fundo. Tendo em conta que nestas secções de condução estamos sempre a escapar de catástrofes como erupções vulcânicas, tsunamis e furacões, seria de esperar que o personagem tivesse a sua vontade de escapar a tudo isso, mas pelos vistos não tem qualquer problema em circular calmamente estrada fora. Simplesmente ridículo. Mas em tom defensivo, argumento que as nossas fugas de carro, enquanto somos perseguidos por catástrofes, são uma sensação simplesmente única que poderia ser simplesmente brilhante não fossem os erros referidos anteriormente.
Por último, temos as secções a pé, que na sua maioria consistem no salvamento de civis e de animais, sim, o nosso personagem arrisca a sua pele para salvar cães, e onde teremos pequenos puzzles em que apanhámos uma certa chave para abrir um porta, ou um item necessário para ultrapassar algo que nos está a barrar o caminho. Eu pessoalmente penso que Disaster ficaria muito bem servido mesmo não tendo esta componente na sua jogabilidade. Embora os mini-jogos que ocorrem durante os salvamentos sejam engraçados no inicio, acabam por se tornar entediantes passado um par de horas no jogo, e mais lá para o final, já nos damos a ignorar as pessoas que necessitam de ajuda simplesmente porque é chato e torna-se maçador quando nós queremos simplesmente avançar para as secções de condução e de shooter. Os puzzles são extremamente genéricos e de uma facilidade absurda, ou seja, acabam por ser verdadeiros queimadores de tempo que nos obrigam a andar para a frente e para trás sem adicionar nada à experiência de jogo.

Mini-jogos de salvamento. Engraçados inicialmente, entediantes com o desenrolar.
Tanto nas secções de shooter como de condução, é possível usarmos os periféricos da consola, como o volante e a Zapper, mas como a acção está sempre a mudar tanto, torna-se extremamente maçador estarmos constantemente a montar e a desmontar tudo, por isso, acaba por ser algo que ninguém irá fazer.
Em termos gráficos, e no geral, Disaster consegue passar com distinção apesar de se manter aquele sentimento de que poderíamos ter algo melhor. Os modelos das personagens estão muito bons, e os cenários muito bonitos e detalhados. Todas as catástrofes naturais são recriadas de uma maneira exemplar e como nunca antes visto. Apenas o fogo me pareceu algo esquisito, mas com isso à parte, o fumo, a água, o vento, tudo está muito bem trabalhado e realmente dá-nos a adrenalina de estarmos no meio de algo caótico de onde precisamos de escapar rapidamente. No entanto, toda esta qualidade gráfica também trouxe os seus problemas. Como a equipa de produção se viu algo pressionada para lançar o jogo, todas as áreas foram limitadas a uma espaço demasiado pequeno, sendo as secções depois separadas por um loading. O problema é que existem certas partes em que não temos mais do que um corredor pequeno e estreito para percorrer antes de sermos atirados para novo loading ou ecrã de relato de história. Disaster tinha tudo para ser algo muito bom, mas necessitava desesperadamente de um ritmo bem mais rápido, ritmo esse que é retirado com as constantes pausas que simplesmente não se percebem fora o facto de sabermos que o jogo não foi trabalhado o suficiente. Mas isso não pode ser desculpa para uma falha tão grande como esta, e sendo este o tipo de jogo que é, ou seja, um verdadeiro filme vídeo-jogável, os próprios relatos de história já deviam ser pausas mais que suficientes.

Embora graficamente limitadas, as secções de condução de Disaster são muito épicas.
Passando para o campo sonoro, estamos perante algo muito bem trabalhado que conta com músicas épicas que dão a ambiência necessária às situações, e de um voice acting de muita qualidade. Este último acaba por ser o mais importante tendo em conta o grande elenco que o jogo tenta envolver em toda a acção. Veremos muitas personagens, o habitual vilão, o traidor, o presidente, e muitas outras pessoas secundárias, cada uma com uma personalidade bem diferente e que a distingue das demais não só pela aparência mas pelo sua maneira de estar e de falar. Realmente um exemplo a seguir.
O modo história foi ultrapassado por mim em cerca de 6 horas, o que à partida é muito pouco mas que acaba por ser combatido pela vertente RPG de Disaster. Ao logo do jogo iremos ganhar pontos tanto por salvar pessoas, como ao longo dos combates contra a SURGE, ou até mesmo de outras acções e items, que nos irão ser fundamentais para o desenvolvimento do nosso arsenal e capacidades físicas. Mas em nome da verdade, eu próprio não me senti motivado a repetir o jogo, muito porque este se baseia imenso no factor surpresa e novidade que todo o estilo nos fornece com as catástrofes naturais. Depois de 6 horas a combater tudo isso, não tenho qualquer vontade em repetir tudo novamente por mais armas novas que possa ter, até porque o jogo pode ser todo passado com uma simples pistola sem grande dificuldade. Logo, o factor de expansão de arsenal acaba por ser apenas para diversão e não algo que necessitamos para realmente nos facilitar o jogo em grande maneira. O mesmo vai para o sistema de ranking e de achievements existentes no jogo. Tudo acaba por ser banal quando Disaster não está realmente moldado para voltar a ser jogado a curto prazo.

Os desastres nunca pareceram tão reais.
Como conclusão, Disaster está longe de realmente ser um desastre de jogo, e muito menos uma decepção. É bom à sua maneira, e veio de alguma forma explorar um conceito que estava mal representado nesta indústria. Estando já em fase de desenvolvimento desde 2006, em que foi pela primeira vez mostrado, podiam-se esperar uns valores de produção bem mais altos, até porque estamos a falar de um projecto sob a alçada da Nintendo. O que acaba por ser algo esquisito já que não é nada usual a companhia apoiar projectos mais violentos tanto fisicamente como verbalmente como é este Disaster. Apesar de tudo, espero que mais parcerias como estas venham a ser concretizadas, mas com mais tempo de produção e qualidade.
Resumindo, considerei Disaster um jogo divertido na minha primeira passagem, mas este apenas se destaca devido à gritante falta de concorrência no catálogo Wii, o que acaba por tornar o projecto em algo convidativo se estão realmente à procura de qualquer coisa nova para este final de ano.
O diversificado estilo de jogo.