É verdade que a Matrix Software teve mais e melhor material do que no visto em Final Fantasy III, mas é de louvar a forma como apontaram os defeitos deste último e os conseguiram melhorar em Final Fantasy IV. Uma das introduções mais notórias neste jogo é o voice acting presente e vermos as nossas personagens a gesticular enquanto falam. Mas não só, visto que foram feitas melhorias em relação a umas das queixas do anterior remake e que consistia na não existência de postos para salvar a partida no decorrer das diversas masmorras que compunham o jogo. Agora essa possibilidade existe, eliminando assim uma das causas que faziam o jogador ficar frustrado com as constantes mortes que decorriam nas masmorras, fazendo com que o jogador tivesse de voltar a jogar desde o começo da mesma.
Mas não pensem que a dificuldade desceu com respeito ao original, visto que o jogo tende a ter partes que obrigarão o jogador a ter de lutar constantemente para subir o nível de cada uma das personagens que vamos encontrando ao longo da aventura.
E já que falamos em combates, estes terão lugar através de encontros aleatórios (random encounters), ou seja, enquanto andamos pelo mapa ou masmorras, de X em X tempo entraremos numa espécie de cenário onde aparecerão os nossos personagens e os inimigos.
Uma vez dentro desse cenário de combate, que normalmente retrata o ambiente onde nos encontramos, teremos combates por turnos em que Final Fantasy IV utiliza o sistema Active Time Battle, no qual cada personagem terá de aguardar um determinado tempo para poder atacar. Esse determinado tempo consiste no preenchimento de uma barra que ao ficar cheia fará com que a personagem em questão fique automaticamente apta para atacar. Após o ataque, a barra volta a ficar vazia e o ciclo irá repetir-se até o final do combate. Mas o preenchimento da barra não implica que a nossa personagem seja a única a poder atacar nessa altura, visto que se demorar-mos a fazer o nosso ataque, o inimigo poderá atacar-nos.
A utilização de magia será fundamental para ultrapassar determinados combatesMas qual é a trama por detrás desta aventura? A personagem principal do jogo, e aquele que controlaremos no desenrolar do mesmo será Cecil, um Cavaleiro Obscuro pertencente a frota militar chamada de Red Wings do reino de Baron. Com o envelhecimento do Rei, este passou a ser uma mera marioneta de um ser maléfico que dá pelo nome de Golbez, cujo único objectivo é apoderar-se dos Cristais Elementares de cada região para conseguir fazer um mundo a sua imagem.
Cecil ao duvidar das intenções do Rei é retirado do seu posto dos Red Wings para depois se ver desvinculado por completo da sua terra ao ser castigado pelos seus actos. As dúvidas vieram quando Cecil começou a questionar-se sobre quais os motivos que levavam o Rei a assassinar pessoas inocentes na procura intensiva pelos Cristais, criando sentimentos em Cecil como o arrependimento ou piedade, raros num Cavaleiro Obscuro.
Ao longo do jogo, Cecil encontrará novas personagens que se lhe juntarão a ele na jornada para deter as intenções de Golbez. Ao contrário de Final Fantasy III, onde o sistema de trabalho era fundamental para progredir nos combates, aqui todos os personagens terão apenas um trabalho, ou seja, todas as personagens contarão com habilidades únicas, como por exemplo, a utilização de magia negra ou branca, a possibilidade de invocar criaturas ou melhores habilidades no combate corpo a corpo. A possibilidade de invocação é umas das novidades presentes neste jogo, sendo que apenas uma das personagens, Rydia, será a única a conseguir tal feito.
A nossa equipa poderá ter um máximo de 5 personagens, dependendo da parte do jogo onde nos encontrarmosOs pontos fortes da história do nosso protagonista não passam apenas pelos sentimentos pela sua pátria ou pelo seu Rei, visto que também existe a presença de Rose, uma das protagonistas femininas do nosso jogo que domina a magia branca. Já Kain, amigo e companheiro de Cecil, fecha o triângulo amoroso entre os três. Além destes três personagens, existem outros que trazem consigo pequenas histórias recheadas de drama e que engrandecem ainda mais este Final Fantasy IV.
Além de novas personagens, o jogo conta também com a presença de velhos conhecidos da série como Cid e os Chocobos, que contam com um papel no desenrolar do jogo, sendo que estes últimos serão importantes na exploração do mapa, livrando-nos dos enervantes e constantes combates aleatórios do jogo.
Outra das novidades deste remake é a introdução do pequeno Moguiri que vai constantemente trocando de trabalho e de nome sempre que o encontramos ao longo da aventura. A sua função vai desde apontar os nossos passos para oferecer-nos determinadas cenas de vídeos, uma espécie de glossário com todos os monstros que vamos encontrando ou mudar os nomes das personagens.
Ainda dentro das novidades, foi a utilização do segundo ecrã da portátil neste jogo, o que não aconteceu no remake anterior. Muito provavelmente devido a mecânica do Active Time Battle que o jogo introduziu durante os combates, permitindo-nos ver os acontecimentos dos combates no ecrã superior, enquanto que no ecrã inferior visualizamos as barras do Active Time Battle ou os dados dos nossos personagens como a HP (pontos de vida) e MP (pontos de magia).
Apesar de todas as novidades e correcções feitas em relação ao remake de Final Fantasy III, a Matrix Software não conseguiu melhorar os controlos através da estilete da Nintendo DS, cuja única função no jogo é apenas e nada mais do que controlarmos o nosso personagem pelos mapeados do jogo, sem qualquer possibilidade de entrarmos no menu do jogo sem ser através do aperto do botão start, ou qualquer possibilidade de navegarmos nos mesmos sem ser através do +Dpad. Um pequeno senão que nada afecta na grandiosidade deste jogo.
Os menus do jogo são bastante acessíveis ao jogadorO argumento do jogo segue basicamente os passos básicos gerais dos RPG clássicos, ou seja, após visitar-mos um novo povoado teremos de passar por uma masmorra e derrotar o seu chefe final seguindo-se de um vídeo. Após isso, recolhemos o veículo necessário, seja ele um barco ou uma aeronave, para acedermos a outros pontos do mapa que marquem o nosso destino. Sempre que tivermos uma passagem por um castelo ou povoado teremos, não obrigatoriamente mas preferencialmente, de passar pelas lojas de armamento e armaduras para equipar os nossos personagens, e assim, subirem alguns pontos de defesa e ataque.
E acreditem que ir bem equipado para as masmorras é bastante importante neste jogo fase a elevada dificuldade que tende a existir a cada nova masmorra que vamos encontrando. Uma das formas que a Square Enix encontrou para fazer com que a exploração dessas mesmas masmorras tivessem algum sentido para o jogador, foi que ao explorar cada mapa de uma masmorra na sua totalidade, o jogador passa a receber prémios pelo feito alcançado que consistem no recebimento de determinados itens em quantidades bastante satisfatórias.
Tal como já revelei mais atrás na análise, o jogo conta com voice acting, coisa rara vista na nossa Nintendo DS, principalmente dentro do género RPG. Mas o importante de tudo, principalmente quando se fala em voice acting, é que este foi introduzido e escolhido de uma forma brilhante, todo ele em perfeito inglês, respeitando e acompanhado as linhas de texto que vão aparecendo.
Já a banda sonora foi toda ela refeita desde o zero, incluindo o tema principal do jogo que foi composto pelo génio Uematsu. Ao todo são 200 temas, alguns deles simplesmente belos. Um mimo para os nossos ouvidos.