Plataforma: Nintendo DS
Lançamento: 22/05/2009
Editora: Nintendo
Produtora: Nintendo
Género: RPG
"Vou apanha-los todos, vou apanha-los todos..." era mais ou menos assim o refrão do PokéRap em português da série televisiva que para muitos foi o ponto de partida para o primeiro contacto com o universo videojogável da série. Para os mais saudosos que certamente se recordam, Pokémon marcou uma, duas, três e já vai na quarta geração conquistando novo publico e mantendo-se fiel aos que acompanham a série desde os seus primórdios. Agora não temos PokéRap porque o numero de Pokémon já ascendeu a mais de 490 o que daria origem a um musical de hora e meia.
Cada remessa da série principal de Pokémon é composta por duas versões com pequenas diferenças entre elas incentivando à troca de Pokémon entre os jogadores. Depois de algum tempo é lançada uma terceira versão que faz alguns ajustes e updates tornando-a mais completa em relação aos antecessores. Pokémon Diamond e Pokémon Pearl não são excepção e agora chegou a vez de Pokémon Platinum fazer as honras encerrando a época com uma aventura renovada.
O conceito de Pokémon é certo e sabido. Escolhemos um herói (rapaz ou rapariga), damos nome ao nosso rival e recebemos um Pokémon de um professor e investigador da espécie, iniciando assim a demanda pelos crachás dos lideres de ginásio até à PokéLiga. Pelo meio evitamos uma crise mundial colocando ponto final aos planos de uma organização astuta.
Quem jogou os anteriores já sabe como tudo se desenrola e Pokémon nunca teve uma historia de proporções épicas parecendo mais uma série de televisão participando em eventos diferentes a cada cidade que encontramos. Ora são escavações, ou estamos a participar num concurso de beleza, a limpar um edifício de ladrões de Pokémon... Enfim cada cidade tem o seu pequeno problema ou evento local.
Sendo Pokémon um RPG de bases solidas tem um avançar lento como qualquer outro mas o facto de evoluir cada membro da equipa em separado consegue torná-lo ainda mais lento. Não é um mau começo para aqueles que se iniciam em RPG`s mas se existe jogo que exige horas a subir o nível das personagens então esse jogo é Pokémon. Ainda para mais porque o mote é realmente apanhá-los todos e para isso temos de os treinar para avançar no jogo. Treinar um por um.
Para quem lê o livro de instruções (espécie de jogadores cada vez mais rara) podem ter uma ideia do tipo de Pokémon que cada treinador de ginásio utiliza, isso leva-nos a preparar-nos para o que ai vem. Fazendo as contas precisamos mais ou menos de um Pokémon de cada tipo. Se tiver um "duplo" tipo melhor ainda. E ainda um outro que possa carregar ataques que sejam utilizados fora das batalhas. Como cortar árvores ou partir pedras que estejam no caminho, e assim não sacrificamos os espaços de ataque dos outros Pokémon.
Se de inicio conseguirmos apanhar uma equipa de Pokémon composta por cada tipo essencial para derrotar os treinadores, para quê nos dedicarmos a treinar os Pokémon que sejam do mesmo género? Se temos uma Ponyta (Pokémon de fogo) capturada no inicio do jogo para derrotar a líder de ginásio que usa Pokémon de erva, não existe grande razão para procurar treinar um Magmar(Pokémon de fogo) que só encontramos mais tarde. Nessa altura já temos a Ponyta num nível de treino muito melhor. Isto só como um exemplo.
Apanhar os Pokémon todos é basicamente um engodo para aumentar a longevidade. No fundo não passa de coleccionismo como se fossem items. Para as batalhas agarramos-nos à equipa que temos de inicio pois está sempre mais avançada e treinada para superar os desafios. Pokémon é longo mas lento nessa longevidade dissimulada que depende da dedicação de cada um.
De qualquer modo Platinum é exemplar no que se pode chamar de edição especial com bastante conteúdo extra em relação aos anteriores. O grande destaque vai para uma nova área em 3D onde podemos andar pelo tecto, subir paredes, ou seja uma dimensão alternativa composta por uma série de puzzles. O porquê de isto existir vão ter que jogar para saber. Mas é uma óptima adição ao universo do jogo expandindo ainda mais a aventura principal.
Já os gráficos são muito agradáveis, não porque estão trabalhados ao máximo mas porque a Nintendo soube escolher o verniz para os pintar e deixar brilhantes, pois não é de agora que a Nintendo DS consegue mais do que o oferecido em Pokémon. Isto serve também para as cidades e inclusive os encontros que revelam os visuais já datados, que aliados à lentidão nas batalhas leva qualquer um a desligar as animações dos ataques mal passada a primeira hora de jogo. Existem também muitas mudanças visuais que vão notar de imediato no caso de terem jogador as versões anteriores.
É no online que Platinum coloca o esforço de inovar. Em Pearl e Diamond os jogadores trocavam e batalhavam com as suas criaturas através da Nintendo Wi-Fi Connection. Em Platinum isso mantém-se e recebe extras. Para começar temos de volta a Battle Frontier que pode ser jogada em modo cooperativo. Aqui avançamos combate a combate por cinco áreas distintas para ganhar pontos e depois gastá-los em items ou cartas. O interesse reside no multiplayer, podendo facturar mais pontos na companhia de um amigo. Depois temos os Plaza Games, ou seja situados num Plaza bastante simpático que suporta até vinte jogadores ligados ao mesmo tempo. Mini-jogos que fazem recordar o que se via em Pokémon Stadium. São apenas 3 mas bastante divertidos. Primeiro temos Swalot Pop, onde atiramos berries para a boca de um Pokémon, em segundo temos Wobbuffet Pop onde tentamos encher um balão e por fim Mime Jr. Top que exige manter o equilibro sobre uma bola. São poucos, o que é uma pena mas estão simples e sempre ajudam a desanuviar. As batalhas online estão iguais mas aqui temos o Vs. Recorder que permite gravar os combates e assim vermos o porquê de termos perdido, ajudando aqueles que gostam de treinar com afinco a notar as suas falhas e analisar estratégias.

Pokémon mantém-se old school desde que surgiu. A nível de mecânicas de jogo tudo o que era bom está melhor e tudo o que era mau está intacto. Interacção com a estilete durante a aventura é praticamente nula exceptuando o PokéWatch, onde podemos ver as horas, mapa, radar de tesouros etc. A movimentação da personagem continua a quatro direcções e não percebo o porquê de ainda não terem inserido as diagonais. Os Pokémon continuam com grunhidos estranhos que julgo a DS já ser capaz de gravar midis com as vozes de pelo menos o Pikachu, visto que cada um emite apenas um som.
A banda sonora ainda mantém a relação amor/ódio com melodias fantásticas e outra irritantes. Nada de extraordinário nesse sentido mas diga-se que manter a nostalgia em temas principais é sempre bom e a quantidade de musicas diferentes é de valor.
Se não jogam à bastante tempo ou nunca jogaram um Pokémon este continua a ser um dos melhores RPG para iniciantes e bastante personalizável, com uma longevidade de respeito.
Se já exploraram tudo o que havia a explorar em Diamond ou Pearl e ficaram satisfeitos com o que jogaram considerem Platinum como a edição especial que realmente é. Uma limagem aqui e ali mas essencialmente o mesmo jogo.
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