Chegamos a mais um Domingo e depois do que se passou nesta semana, o tema desta crónica tinha desse focar no rescaldo da edição
2010 da
E3. Ainda na ressaca da avalanche informativa que varreu o mundo dos videojogos, vou escalpelizar os bons e maus momentos da feira, no que diz respeito à nossa querida Nintendo.
Na sua generalidade, a
E3 2010 foi morna, com poucas surpresas extra-conferências e algumas ausências. E por isso, e cada vez mais, as conferências da Microsoft, Nintendo e Sony são os pontos altos da maior feira de videojogos e atraindo cada vez mais a atenção dos apaixonados pelo “gaming”.
Como certamente se recordam, os dois últimos anos foram mornos no que toca à presença da Nintendo na E3, sobretudo o ano de 2008, que foi dos piores que tenho memória de acompanhar.
Devido a isso as expectativas para a conferência da Nintendo de 2010 não eram totalmente elevadas, mesmo sabendo de antemão que veríamos o novo Zelda e a futura portátil da empresa nipónica. Expectativas essas que ficaram um pouco mais baixas com o toque de saída confrangedor dado pela conferência da Microsoft. Parecia que iríamos ter uma E3 sob o signo do “casual gaming”.
Felizmente, a apreensão que poderia existir foi totalmente abafada pela brilhante forma como a Nintendo conduziu a sua conferência. Ao contrário de experiências recentes, desta vez a apresentação do evento esteve em grosso modo a cargo de Reggie Fils-Aime, o que pessoalmente me agrada mais.
É sempre bom ver um novo Zelda anunciado, mas desta vez esteve longe de ser o ponto alto da conferência.
A conferência propriamente dita começou em verdadeiro anti-climax, com aparição de
The Legend of Zelda: Skyward Sword. Se à partida qualquer anúncio de Zelda arrebata a plateia, este ficou marcado por alguma inabilidade de Shigeru Miyamoto em assumir os controlos e por problemas de interferência com a sensor bar. O aspecto visual é mais colorido que o antecessor e os controlos serão mais importantes na aventura. Fiquei relativamente agradado, não pela conferência em si, mas por feedback de alguns felizardos que o puderam experimentar.
No seguimento começaram por apresentar
Mario Sports Mix que se tiver o impacto de Mario Strikers pode tornar-se o novo rei do multiplayer em 2011 na Wii e certamente que venderá milhões de cópias.
Claro que não poderia faltar um pouco de tempo dedicado a números de vendas. Dispensável para aqueles que querem ver jogos, mas compreensível numa lógica de reforçar a recente politica da Nintendo. Felizmente este período não demorou muito mais de 5 minutos. Aproveitando a onda, surgiu o único apontamento focado no mercado casual, com a apresentação de
Wii Party e
Just Dance 2. Pessoalmente passam-me ao lado, contudo julgo interessar a muitos milhões de possuidores da Wii.
Neste ponto, começa a viragem na conferência, com uma catadupa de anúncios que galvanizaram qualquer jogador.
Golden Sun está mesmo vivo para a Nintendo DS e promete ser um marco no fim de vida da consola. Certamente um Must-Have!
Obviamente que nem só de jogos Nintendo viveu a E3. O anúncio do remake de
Goldeneye como exclusivo Wii não surpreendeu, mas foi positivo e reforça um género ainda com pouca oferta na consola. Surpresa pelo potencial mostrado foi, sem dúvida, o
Epic Mickey. Provavelmente será o jogo third-party mais forte para os próximos meses, sobretudo pelo seu estilo visual, conceitos de jogabilidade e alternância de níveis 3d com 2d.
O regresso de Kirby tem um visual simplesmente delicioso.
Depois de anos de rumores, finalmente vimos a confirmação de um jogo Kirby na Wii. Eu que nem sou fã da famosa personagem fiquem maravilhado com o trailer de
Kirby's Epic Yarn. Sei que os seguidores da série não ficaram agradados com a incapacidade de Kirby absorver os inimigos, mas a evolução das mecânicas também é importante e acredito que este será um dos melhores jogos Wii num futuro próximo.
Outro que não tenho dúvida da sua qualidade é
Metroid: Other M. Alias, estou mesmo ansioso por lhe deitar as mãos em Setembro próximo por alturas do seu lançamento.
A Nintendo continuou imparável na tentativa de saciar a vontade dos “hardcore” gamers. E como não poderia deixar de ser, teve tempo ainda de apresentar o futuro projecto da Retro Studios, que é nada mais nada menos o
Donkey Kong Country Returns. Seguindo uma lógica de sidescrolling, parece manter o espírito do clássico 16 bits mas com um grafismo dentro do esperado para a Nintendo Wii. Outro Must-Have para a consola caseira da Nintendo.
Eu quero uma!
A conferência podia até acabar com o regresso de Donkey Kong Country que já seria um sucesso e superior às dos últimos anos. Mas a Nintendo quis quebrar todas as barreiras do hype e apresentou a
Nintendo 3DS e arrasou de uma forma avassaladora.
O design da consola segue os padrões da DSi, mas inovando com o ecrã superior de maior tamanho e com capacidade de projectar imagens 3D. Duas câmaras externas, um analógico e retrocompatiblidade com a DS. Muito bonita e só o seu aspecto deu-me logo vontade de a ter no seu lançamento. Por outro lado, ao mostrar um vídeo do esperado regresso de Kid Icarus deu para ter a noção que será a portátil mais potente de sempre no campo gráfico, ultrapassando largamente o grafismo da actual DS e tudo isto em 3D sem usar óculos especiais. E ainda sensores de movimentos. Notável!
Mas impressionante é o catálogo anunciado para a consola no seu primeiro ano de vida.
Kid Icarus Uprising,
Ocarina of Time 3D, Kingdom Hearts 3D,
Paper Mario, Nintendogs and Cats 3D, Samurai Warriors 3D, DJ Hero 3D,
Super Street Fighter IV 3D Edition,
Professor Layton and the Mask of Miracle,
Mario Kart 3DS…Uff!...
Metal Gear Solid: Snake Eater 3D,
Resident Evil: Revelations, Animal Crossing 3DS,
Star Fox 64 3D, Tom Clancy's Ghost Recon , Dead or Alive 3D, Chocobo Racing 3D, Ridge Racer 3DS, Assassin's Creed: Lost Legacy,
PilotWings Resort, entre outros. Verdadeiramente fantástico! Ainda para mais sabendo do feedback altamente positivo de quem teve a oportunidade de experimentar a consola.
É verdade que nem tudo foi perfeito, até porque não foram confirmadas datas nem preços para o lançamento da Nintendo 3DS. Mas certamente que eu estarei na primeira fila para adquirir esta consola que tanto promete.
Posto isto, tenho a dizer que dia 15 de Junho foi um marco na história recente da Nintendo. Este ano, a concorrência focou-se no controlo dos movimentos e numa colagem ao sucesso da Wii, com particular foco no “casual gaming” e por isso um dos poucos momentos altos acabou mesmo por ser a conferência da Nintendo. Aí, a Nintendo voltou-se para os jogadores e deu um passo em frente. Fez a apresentação mais curta da E3 e ainda bem, pois soube gerir isso com alta intensidade e com grandes anúncios. Pouco palavreado e muitos jogos foram a fórmula para o sucesso e desta vez a Nintendo voltou à glória na E3 como há algum tempo não se via.