Tem-se falado bastante no facto da Wii estar um pouco abaixo das mais directas concorrentes em termos de hardware, o que poderá vir a prejudicar a sua competitividade e posição no mercado a longo-prazo. Quer-se uma Wii em HD, com DVDs maiores, com maior capacidade, que dê para ver filmes, com um online melhor, e que, em todos os aspectos seja igual à PS3 e à X360, só que branca.
Ora, decidi pensar um pouco neste aspecto e relacioná-lo com a época do jogo que ando a jogar nos últimos dias, o Zelda: Ocarina of Time, definido pela crítica como O Melhor Jogo da Vida (juntamente com o Final Fantasy VII) e apesar de as revistas de videojogos todos os meses atribuirem este tipo de títulos a um jogo diferente (lembram-se quando o GameOver no espaço de 5 meses definiu nada mais, nada menos que 12 "Jogos do Ano"?). Enfim, o facto de nunca ter terminado o Ocarina of Time tem-me dado montes de problemas sociais e as pessoas olham-me de lado, na escola gozam comigo e chamam-me nomes, os meus avós não sabem o que me hão de fazer, e como fã da série, não vou querer que os meus futuros filhos tenham vergonha do seu pai.
A Nintendo 64 trouxe uma revolução e uma grande aposta tecnológica para a sua época. Marcava a transição dos jogos com
sprites (2D) para modelos e polígonos (3D), permitia um multiplayer até 4 jogadores, um comando com botões suficientes para encher um guarda-fato, cores para todos os gostos e feitios, franchises de sucesso, enfim, tinha tudo para dominar em grande a geração de consolas.
A quantidade de botões no comando permite competir com o seu homónimo da televisão.
Espera um momento... Que é aquilo ali em cima? Não, a Nintendo, em 1997, não deciciu investir em cassetes para uma consola! A concorrência directa, a Playstation e a Sega Saturn, ambos colocados no mercado antes da Nintendo 64, optaram pelo CD-Rom. A cassete apresentava como vantagem única o menor tempo de espera, no entanto, perante o elevadíssimo custo de produção (quem se lembra de ver jogos da Nintendo 64 a chegar aos 18.000$00 = 90 euros?), e uma capacidade bastante inferior levaram a ser um factor crucial para que as third-parties "abandonassem" a 64, que passou a ser principalmente suportada pela Nintendo, conforme podia.
Perante o gigantesco sucesso da Playstation, e a Nintendo 64, precedida pela SNES ter tido expectativas demasiado elevadas, não as ter acomapnhado, levou a que a 64 se considerasse uma "consola falhada".
Parcialmente concordo com esta afirmação, a Nintendo 64 podia ter um leque bastante reduzido de jogos, mas entre estes estavam títulos dignos de 10/10 pela imprensa especializada; devia-se focar um pouco nestes quando se toca a considerar a 64.
Actualmente, critica-se um pouco a Wii por "não estar a seguir o mesmo caminho das outras" e, até agora, tem-se revelado um sucesso, graças a um novo público-alvo, o jogador casual, que não foi tão considerado pelo merchadising Nintendo 64. Podendo-se mesmo verificar isso nas campanhas de publicidade "agressiva" e focada no jogador hardcore da Nintendo 64, desde o primeiro slogan "Get N, or get out!" ao spot americano do Ocarina of Time "Will you save the girl? Or will you play like one?". Nesta geração, esse público (que desde então se tem revelado decisivo para tornar uma consola um sucesso de vendas) foi aproveitado pela Playstation.
Assim se consta que, pela positiva ou pela negativa, não é o avanço gráfico que torna uma consola um sucesso.
Zelda. Só para homens hardcore de barba rija!
O catálogo da Nintendo 64 foi, portanto, praticamente composto pela própria Nintendo, um pouco - cada vez menos, à semelhança da Wii. Ainda assim, não implica que a 64 não tenha bons jogos. Super Mario 64, foi considerado um jogo revolucionário para a indústria, pela forma como o 3D foi desenvolvido, os dois Legend of Zelda, Ocarina of Time e Majora's Mask (dos melhores da série até aos dias de hoje), spin-offs do Mario como Paper Mario, Mario Tennis e Mario Party, o regresso de algumas séries da SNES como F-Zero X e StarFox 64, os Pokemon Stadium e, last but not least, Super Smash Bros. que pegou num conceito inovador e colocar as personagens mais conhecidas da Nintendo e colocá-las à bulha; ou Banjo-Kazooie, ou Conker, recentemente "transferidos" para a Microsoft, entre outras pérolas que tiveram menos destaque.
Nota: Mario não teve 63 jogos até 1996.
Concluindo, a opção da cassete como formato de jogo tornou-se o primeiro ponto a tornar um projecto interessante numa consola que não atingiu as suas expectativas, mas que mesmo assim contou com jogos marcantes para a época que definitivamente merecem a sua atenção.
Bem, deixem agora os vossos pareceres. Tiveram uma 64? Eram capazes de comprar uma? Que títulos destacam. Qual a vossa comparação entre esta consola e as concorrentes próximas?