Quero começar explicitando que, na minha opinião, não é o line up, nem tão pouco mais ou menos, que define o sucesso e o futuro de determinada plataforma, longe disso, aliás, estamos a assistir a uma geração de consolas que está a ser bastante duradoura e até agora, ainda não há sinais de sucessores à Wii, PS3 e X360, o que significa que existe um grande empenho nesta geração e que promete uma batalha (metaforicamente falando) bastante renhida. Ora uma é mais popular, ora uma fica mais na moda, ora uma é buéda fixe, ora agora deixa de ser porque ficou sem "aquilo", agora meteram o acessório para jogar com as unhas, etc. Tudo num constante sobe e desce que aponta para que esta geração ainda tenha muitas cartas para jogar.
Por Line-Up (ou Launch Games, ou o que quiserem chamar), nesta crónica (já que se usa este termo em diversas situações relativas ao mundo dos videojogos) entenda-se o conjunto de jogos que acompanha (separado e a preço elevado, nem sempre se justificando) o lançamento de determinada consola, já que, comprar uma consola sem jogos (e mais antigamente, sem cartão de memória) era algo realmente aborrecido, eu já o experimentei, e foi realmente desagradável, lá acabei por comprar o Final Fantasy X para a PS2 três semanas depois, quando tive a possibilidade.
Este conjunto de jogos é a "primeira impressão cronológica" de determinada consola, por vezes nem tão bem explorado, em outros casos, muito bem planeado. É importante que dê ao jogador casual: "Quero comprar isto no primeiro dia", em vez do "Meh, jogos, se me apetecer logo peço no Natal daqui a 3 ou 10 anos."; e ao leal seguidor: "Quero comprar isto no Day One, ir acampar, reservar, ganhar concursos e sei lá mais o quê" e não "Meh, boring." ou "Vou para a concorrência. Estes tipos estão-se a defecar para os jogadores". Um Line-Up deve ser cuidado, elaborado, a meu ver: o mais diversificado, em termos de experiências, possível - e não, serem vários jogos do mesmo género, ou jogos de "gimmicks" (se a consola dá para fazer determinada coisa, tudo vai servir de desculpa para teres que gramar com isso).
Por mim, melhor ainda, se puder trazer, sem custos adicionais logo algum jogo sem ter que pagar mais, era óptimo (o Wii Sport era uma tech-demo, mas servia o propósito da consola servir para alguma coisa).
O primeiro Line Up de que me recordo foi do Game Boy Advance, não o pude explorar todo de imediato, mas era bastante interessante: Super Mario Advance (o meu escolhido), Kurukuru Kururin (um interessantíssimo e divertido jogo do género puzzle) e F-Zero (jogo que desconhecia na altura, mas que mais tarde vim a gostar imenso). Ponto positivo: Super Mario Advance foi uma grande novidade para mim, e uma grande mudança no mundo dos videojogos portáteis. Ponto negativo: Três jogos podem ser poucos.
Um jogo estranho, tipicamente japonês é pouco cativante para alguns, mas a mecânica e carisma destes patos são de recompensar quem decide arriscar neste título. Apetece-me é Arroz de Pato.
De seguida, e como só acompanhava a Nintendo na altura, surgiu a GameCube, com alguns títulos iniciais interessantes, falo de Luigi's Mansion e Super Smash Bros. Melee (jogo mais divertido e vendido da consola), entre títulos como WaveRace, jogo qualquer de hóquei, e um jogo qualquer do Star Wars (nunca liguei) com naves e coisas dessas. Fiquei-me com o Super Smash Bros. Melee, e quando voltei a ter dinheiro para um jogo, já o catálogo da consola se tinha expandido.
A actual geração de consolas foi iniciado pela consola caseira da Microsoft, a XBox 360, que surgiu com títulos iniciais bastante diversificados, uns mais interessantes que outros, com títulos como o Oh, tao aguardado! Kameo (que era para ser feito para a N64), Quake 4, Perfect Dark Zero (cuja fama foi breve), uns quantos jogos de tiros, uns quantos jogos de desportos e o jogo do King Kong (eish!). Possivelmente para o público-alvo inicial da consola (sim, que não estava à procura de animais fofinhos, e nem sonhava em dançar à frente da televisão - como o tempo voa) era óptimo, acção até mais não. Saltando o da Wii (a analisar de seguida), o da Playstation 3 também se centrou na acção, sobretudo no "tiros e popós", surpresa das surpresas, só se falava de MotorStorm e Resistance: The Fall of Man; na minha opinião, jogos medianinhos mas, sendo a "menina querida portuguesa", eram o "topo dos bideojogos" e os "mega gráficos do século 39" e a loucura na televisão, lojas e média em geral, seja como for, a Sony conseguiu encantar o seu público-alvo inicial (malta que na altura não achava fazer festinhas para animaizinhos em câmeras, que achava que a Wii era para putos, que curtia era de acção e que não tinha problemas em investir 600 Euros neste mega-leitor-de-Blureis).
Antes que me chamem de Fanboy, admito que, o jogo adaptado da GameCube: Twilight Princess à parte (razão da compra da Wii no 1º dia, e única razão da compra da consola a médio prazo), os títulos inicias da Wii foram bastante abaixo de quaisquer espectativas. Divertido, mas curto e com pouco a explorar, Wii Sports não passava de uma tech-demo das funcionalidades iniciais da Wii. Os restantes jogos visavam apenas explorar coisas com abanos, de maneira pirosa, repetida, escusada e pouco explorada (as críticas aos vários jogos foram bastante pesadas). Mas decidiu desde cedo apresentar propostas para jogadores casuais e falar da tal coisa do "jogo em família" (coisa que para mim ainda é mito), e por aí tem seguido, e para aí caminho o mercado geral.
Já lá vão uns anitos desde que as "três grandes" eram novas, e hoje têm vindo a contornar situações passadas, apresentando diversas actualizações, melhorias, upgrades, acessórios, pedaços de plástico super-úteis para cada jogo, e assim vão evoluíndo as consolas actuais, sem necessitar para já de nenhuma sucessora que apresente melhorias gráficas.
Yeah! Aos poucos vai-se desmistificando-se o mito da "família gamer". Eu cá ainda não vi nada, mas tenho dificuldade em imaginar pais/mães interessadas.
Para mim um bom lineup é difícil de definir, mas apresenta propostas (boas e razoáveis) variadas que apelem a vários gostos (desde fãs assíduos a possíveis-futuros-fãs). Boas no sentido de terem uma qualidade boa, longevidade aceitável e que mostre que o jogo foi, de facto, trabalhado e não apressado como quem atira "mais um para o monte" - que é o sentimento com que fico ao ver muitos jogos; e outra coisa que já me chateia e já devo ter referido um incómodo número de vezes acima, os gimmicks - se a consola tem microfone, eu não preciso que o jogo me ponha à prova oralmente (como em Zelda: Spirit Tracks, em que tinha que gritar feito maluco para a consola; ou Another Code, em que tinha que andar a soprar para tirar o pó dum livro) constantemente, inventando e repetindo todo o tipo de pretexto.
A nova consola da Nintendo, a 3DS aproxima-se de nós, fãs mortais a largos passos, e cada informação tem sido bem recebida. O número de software-houses associadas ao projecto da consola é enormíssimo e promissor, prometendo uma larga lista de espectaculares jogos de não menos espectaculares editoras. Podemos contar com títulos de diversas sagas de renome de que nunca pensámos "Ena pá, estes tipos vão fazer um jogo a sério para uma consola da Nintendo, em vez de um reles remake/spin-off!!!", isso, ou sou eu com as expectativas em alta. Um line-up inicial com Starfox, Resident Evil, um remake Ocarina of Time e outros títulos com uma etiqueta de "Recomendado" é de deixar qualquer jogador a enchar baldes com baba, e indecisões sobre quais títulos escolher, cá para mim (e por agora) só vejo uma desvantagem: a minha carteira.