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Samurai Warriors 3 (Wii)


Plataforma: Wii
Lançamento: 28/05/10
Editora: TecmoKoei/Nintendo
Produtora: Omega Force
Género: Acção
Jogadores: 1-2

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Em 2000 a Koei surpreendeu meio mundo com um jogo de acção que juntava inúmeros adversários ao mesmo tempo no ecrã. Dinasty Warriors 2 popularizou o género hack`n slash, onde o jogador enfrentava praticamente sozinho enormes quantidades de inimigos. E se Dinasty Warriors representava as longas batalhas que opunham os clãs da China Antiga, em Samurai Warriors as atenções centram-se no período Sengoku, que durante anos embrenhou o Japão numa dura guerra civil onde todos os senhores feudais lutavam entre si com o objectivo de unificar o país. Samurai Warriors 3 marca também a estreia da série principal na Wii, isto se excluirmos o spin-off Samurai Warriors: Katana.

Abram alas.

As personagens de Samurai Warriors são baseadas em personalidades históricas que realmente existiram no Japão feudal, e tiveram um papel importante durante o período Sengoku que durou desde meados do século XV até ao início do século XVII. A maioria apenas pegam emprestado o nome, já que a personalidade e carisma, são trabalhados pelos criadores do jogo. Ainda assim mantêm muitas características que os popularizaram ao longo da história do Japão. Date Masamune, por exemplo, enverga um capacete adornado por uma meia-lua, assim como a pala no olho direito, tal como actualmente se pode ver na estátua feita em sua honra na cidade de Sendai, no Japão. Claro que a complementar estes pormenores históricos temos uma forte conotação do imaginário japonês do anime e videojogos, com as personagens a invocarem super poderes capazes de arrasar com mais de meia centena de soldados ao mesmo tempo. E esta é apenas mais uma forma dos japoneses contarem a história do seu passado. Mesmo que fantasiada, quem estudou a historia sabe que nem tudo se passou assim, e quem nunca ouvi sequer falar diverte-se plenamente apreciando o jogo tal como ele é. Confesso que sabendo um pouco dos factos as coisas tornam-se mais interessantes, pois é uma visão diferente e muito mais divertida de ver as coisas.


A pontaria do zarolho não falha.

O modo principal é o Story Mode, e também aquele onde deverão passar mais tempo. Aqui escolhem a vossa personagem de uma selecção inicial de 10, e vão passando pelas batalhas em que essa personagem se insere. Estas vão sendo espaçadas por cut-scenes bem trabalhadas onde os diálogos não vão muito além das frases heróicas e sentidas presentes em qualquer guião de uma personagem de videojogos. Podem ir alternando entre as personagens sem perder o avanço na história de cada uma, isto é um ponto a favor que vos dá mais autonomia para ir variando, já que o jogo se torna repetitivo a médio prazo.

A lista de ataques não é longa e muito menos complexa. Felizmente aumenta com o tempo. A personagem ganha pontos de experiência ao derrotar os inimigos e, conforme sobe de nível, aumenta não só as suas estatísticas comuns (força, defesa, saúde, etc.) mas também o rol de ataques, que não vão muito além do encadeamento entre dois botões. Por esse motivo qualquer pessoa pode saltar para a acção e em poucos segundos dominar a jogabilidade. Existe também um movimento especial que, quando desencadeado, abrange uma área maior apanhando todos os inimigos em redor. E tal como em qualquer hack`n slash deste género, a repetição de golpes é uma constante, mas com tanto “fogo-de-artifício e efeitos especiais”, o ecrã rapidamente se torna um festival de soldados a voar a cada golpe desferido pelo exército adversário, composto por um só soldado... ou seja nós.

No entanto não estamos completamente sós. Antes de iniciar a batalha é apresentado o mapa do terreno e a respectiva estratégia, que não vai muito além do simples ir do ponto A ao B, depois ao C, e por ai adiante. O que temos de ter em atenção são as prioridades dos objectivos. Embora estes possam ser subitamente alterados no decorrer da batalha. Nós jogadores não temos influencia alguma sobre a estratégia definida não existindo hipótese de reposicionar tropas, unidades ou priorizar objectivos. Uma opção previsível para a Koei pôr em marcha o seu Samurai Warriors 3 Empires ou Xtreme Legends, que prevejo surgir num futuro não muito distante. Não fosse a tradição o forte da casa.

Uesugi Kenshin a mostrar que Bishamonten está do seu lado.

Em campo temos também alguns objectivos extra, com condições por vezes bastante difíceis de cumprir, mas que trazem vantagens estratégicas ou itens úteis para facilitar o nosso progresso. E um pelotão de soldados a acompanhar-nos, controlados pelo computador. Ou então por ninguém, porque só ficam ali a fazer vista, ou no máximo a enviar olhares ameaçadores aos adversários. No fundo somos nós jogadores a ter de fazer todo o trabalho. De certa forma é para isso que ali estamos, mas com a experiência da Koei já era hora de inovar em muitos aspectos.
O vosso desempenho vai permitir que ganhem recursos para gastar no Dojo, que não é muito mais que uma loja onde podem comprar personagens, fatos, armas, etc. Falar é fácil, mas de início pode ser um pesadelo conseguir recursos suficientes para desbloquear estes extras que ainda são de quantidade bastante razoável mas a preços elevados. Podem também recolher materiais para aumentar o poder das armas com habilidades especiais, recorrendo ao ferreiro. Isto pode ser feito também entre as missões, o que é bom para irmos bem preparados.

Só ficava a faltar mesmo uma jukebox, porque realmente Samurai Warriors 3 tem das melhores bandas sonoras que já ouvimos num videojogo. O mesmo não se pode dizer do grafismo. Os cenários pecam por serem muito vazios e as personagens carecem de detalhe nas armaduras, embora os modelos faciais sejam muito bons. Já as cutscenes receberam um bom tratamento inclusive a nível de animação e ficam ainda melhores com as vozes em japonês.

Para dar ao jogo uma maior veracidade histórica podem entrar num modo chamado Historical Musou, utilizando uma personagem criada pelo jogador. Este deixa que os jogadores vivenciem as batalhas definitivas que tiveram lugar em diversos pontos do Japão. Não como comandantes ou estrategas, mas como meros soldados. Divididas cronologicamente os jogadores ganham uma maior percepção sobre a evolução deste período que culmina numa nova época de estabilidade. Atenção que não é uma enciclopédia, nem pretende ser, mas é uma fonte de referência interessante das datas mais importantes do período Sengoku.

Ataques especiais de encher o olho.

A novidade que o jogo destaca é o modo Murasame Castle. Este é baseado num antigo jogo da Nintendo para a NES, que nunca viu a luz para lá das terras do sol nascente. Basicamente é um sistema de missões onde fazemos exactamente o que fazemos nos outros modos, mas com objectivos mais específicos. Um modo que pouco ou nada se destaca dos demais, não fosse a vertente online. Podem convidar um amigo para jogar com vocês, e se realmente quiserem jogar a dois, é bom que tenham amigos com o jogo porque a nível de emparelhamento aleatório, mesmo com jogadores de todo o mundo, é extremamente difícil encontrar alguém com quem jogar. Em alternativa podem convidar alguém para jogar a dois em ecrã dividido na mesma consola, o que se calhar até é mais fácil. Podem jogar com comando de Gamecube e tudo.
Conclusão:

Samurai Warriors 3 entrou de rompante na Wii, e para uma estreia não esteve mal. O conceito está datado, mas o género não abunda na consola da Nintendo o que pode ser uma alternativa a ter em conta. A execução geral é mediana e vai depender muito do vosso interesse pela cultura japonesa, que se reflecte também neste tipo de jogos. O modo online existe, mas parece ser completamente ignorado, pelo que a contar com o multiplayer é bom que pensem em convidar os amigos para jogar. Se for a primeira vez que entram em contacto com o estilo Samurai Warriors são capazes vir a gostar, mesmo que inevitavelmente se torne repetitivo, se por outro lado já conhecem o passado da série não esperem novidades de destaque.


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