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CRÓNICA


A ascensão dos jogos indie

Uma força cada vez mais dominante.

GERAL

Por Tiago Marafona a


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Tiago Marafona, Redactor

O maldisposto da equipa. Um autêntico fã de RPGs japoneses e um belo apreciador de jogos de plataformas. Recentemente tornou-se um especialista de jogos de dança e de música.

16 Comentários...

#1 lobito180

20 de Janeiro, 2019, 12:05

Apesar de apreciar indies de vez em quando, tenho de dizer que chega a um ponto em que parecem todos iguais. Quantos "Super Meat Boy's" há por aí? Quantos jogos de plataformas em 8/16 bits não estão neste momento na Steam, PSN ou eShop? Será que todos são super originais e, vamos ser francos, necessários? E quantos RPGs do RPG Maker não inundam a Steam?
Neste momento estou a jogar o Golf Story, algo realmente novo (pelo menos dentro daquilo que eu conheço) e que acho que vale a pena. Quantos destes jogos poderão realmente merecer destaque e não o têm por estarem perdidos num mar de banalidades?
#2 BAlvez

20 de Janeiro, 2019, 12:58

Mas @lobito180, esse argumento do "Será que todos são super originais e, vamos ser francos, necessários?" é coisa que eu considero cada vez mais válida na maior parte dos jogos AAA (mais os 3rd parties ocidentais). É certo que existe muita tralha na Steam, muita mesma, mas a maior parte dos indies que para além da Steam conseguem dar o passo de ir para as consolas são de boa ou excelente qualidade. Isto tudo porque a Sony e a Nintendo têm um controlo de qualidade bem mais rigoroso que a Valve. Ainda assim, temos abominações como o Fallout 76 e o PUBG (este último não é que seja um "jogo mau", mas tecnicamente é horrível) a sair nas consolas.
#3 BraveBold

20 de Janeiro, 2019, 12:58

Para entreter não é necessário projectos de alto financiamento. Foi isto que os Indies vieram comprovar. E isto é de tal forma verdade que tens pessoal dos 3 aos 99 anos a jogar um farm ville como tens um punhado de jogadores que querem uma experiência mais "exigente" a jogar um Shovel Knight ou um Celeste
#4 lobito180

20 de Janeiro, 2019, 15:09

@BAlvez não digo o contrário, mas a eShop tem uma boa dose de shovelware desnecessário...
Ainda assim, os jogos AAA podem ser maus, mas é com maior facilidade que separamos o trigo do joio. É um tema complicado, mas é a minha visão geral da coisa.
#5 Celebi

20 de Janeiro, 2019, 15:24

O problema dos indies na minha opinião é que o entry level é extremamente baixo, mas fazer uma coisa no mínimo em condições é naturalmente bastante complicado.

Embora acessibilidade não seja por norma algo necessariamente mau, não acho que exista um controlo na minha opinião bom o suficiente para mitigar a inundação de produções em que muitas delas são francamente más/claramente inacabadas, cortando por sua vez aos poucos o foco naqueles mesmo bons. A Steam é um perfeito exemplo disso.

Claramente que, por exemplo, nem tudo o que é AAA é bom nem nada que se pareça, mas existe sempre pelo menos um nível de qualidade, principalmente técnica, que "nunca" sabemos se existe num indie aleatório também por ainda existir algum estigma associado a eles.
#6 BAlvez

20 de Janeiro, 2019, 15:48

lobito180
Ainda assim, os jogos AAA podem ser maus, mas é com maior facilidade que separamos o trigo do joio.
Mas não achas que HOJE isso também já está a acontecer nos indies? É que eu revia-me naquilo que tu estás a dizer à coisa de 6-7 anos atrás, mas nos dias de hoje os jogos independentes que são de qualidade têm qualidade são rapidamente identificados e aclamados pela crítica, mas sobretudo pelos consumidores. Se os consumidores não mostrassem isso, provavelmente hoje eu não tinha um grande respeito por estes jogo como eu tenho pois nunca teria jogado um Shovel Knight, Undertale ou Stardew Valley. Três jogos que saíram entre 2014 a 2016 e que pouca publicidade tiveram, mas hoje são reconhecidos como dos melhores jogos indies que alguma vez feitos.
#7 lobito180

20 de Janeiro, 2019, 17:45

BAlvez
Mas não achas que HOJE isso também já está a acontecer nos indies?
É mais fácil, mas nada nos garante que não existam pérolas por descobrir nos confins da Steam apenas porque um YouTuber não fez um vídeo a falar delas.
O grande problema dos indies é a quantidade absurda de jogos a serem lançados todos os dias e a falta de controlo, como disse o @Celebi. Eu posso dizer "gosto de alguns indies", mas dificilmente irei generalizar a afirmação a todos porque a maioria não vale um cêntimo.
Um exemplo recente para deixar uma questão: por muito bom que o Dead Cells seja (não joguei, não posso comentar), será que tinha sido tão falado e venderia tanto se não fosse o escândalo do IGN a servir de publicidade?
#8 BAlvez

20 de Janeiro, 2019, 19:02

lobito180
Um exemplo recente para deixar uma questão: por muito bom que o Dead Cells seja (não joguei, não posso comentar), será que tinha sido tão falado e venderia tanto se não fosse o escândalo do IGN a servir de publicidade?
Não seria, com toda a certeza que não seria tão falado como foi, mas qualquer escândalo serve para publicitar independentemente da sua qualidade. Peguemos no Mighty no. 9 como exemplo, não foi um jogo que correspondeu aos 4 Milhões de Kickstarter e quando confrontado com isso o Inafune disse "É melhor que nada". Essa afirmação foi prova de que má publicidade não existe.
Mas faz para jogar o Dead Cells, eu que não gramo muito Metroidvanias e roguelikes adorei o jogo. É um excelente "time-killer"!
#9 lobito180

20 de Janeiro, 2019, 19:52

Por acaso tenho interesse em experimentar, só ainda não tive oportunidade!
#10 BraveBold

20 de Janeiro, 2019, 23:55

Acaba hoje em dia por ser mais fácil "diferenciar" o bom do mau porque (pelo menos a nivel de consolas) tens sempre analises em muitos sites
Os melhores acabam sempre por saltar a vista
#11 G.E.R.M.A.N.

21 de Janeiro, 2019, 00:08

Sim, acho que os videojogos até são o meio onde os indies bons mais se destacam e a qualidade acaba por compensar em termos de sucesso de vendas. Nos filmes e na música, por exemplo, é bem mais complicado, grande parte das vezes os indies excelentes passam despercebidos.
#12 gusema

22 de Janeiro, 2019, 23:43

Eu acho que no cinema poucas pessoas têm paciência/interesse em filmes de autor ou filmes mais lentos. E a verdade é o tipíco jogador de CoD ou Fortnight também não anda a jogar Celeste. Já na música acho que as pessoas são muito estanques em termos de géneros. Sinceramente, acho que em todos eles os indies têm pouca fama, mas ainda assim acho que no cinema e nos jogos é mais fácil um indie ficar famoso.

Também discordo de dizerem que a e-shop têm excesso de indies. Se dissessem isso da Steam concordo. Agora na e-shop não existem muitos jogos que sejam literalmente impossíveis de jogar muitas vezes devido a bugs que crasham o jogo ao fim de 10 minutos. É verdade que existem jogos fracos mas tendo em conta o que se vê na Steam a Nintendo faz um filtro incrível.

Sinceramente, prefiro que deixem passar jogos a mais do que corram o risco de impedir que bons jogos cheguem à consola. Uma pequena pesquisa aqui nk FN ou no metacritic e descobre-se logo se um jogo tem interesse ou não.
#13 G.E.R.M.A.N.

23 de Janeiro, 2019, 00:10

Não acho que seja uma questão de paciência ou interesse, mas sim de pouca divulgação. Um indie nos jogos que seja aclamado pela crítica é passado de boca a boca e as pessoas acabam por conhecê-lo, o Celeste que referes é falado em todo o lado, quem acompanhe minimamente este mundo é certo que já ouviu falar nele. Nos filmes, é preciso mais sorte, ser apreciado pela crítica não chega, ainda no outro dia uma colega minha que adora cinema nunca tinha ouvido falar no Short Term 12, aconselhei-o e adorou. Claro que a maior oferta de bons indies do cinema também será um motivo para esta desigualdade, é mais difícil ficar por dentro de tudo.
#14 gusema

26 de Janeiro, 2019, 14:59

Mas nos filmes também tens imensos filmes indie que volta meia ficam bastante conhecidos como o Call me by Your Name ou o Get Out recentemente. E também acho que por cada Celeste ou Dead Cells há 5 indies com muita qualidade que não ficam tão conhecidos. No outro dia estava a ver o top de 2018 do Jim Inquisition e ele refere lá alguns indies que nunca tinha ouvido falar.

Por outro lado, muitos indies no cinema não ficam conhecidos por serem "excessivamente artísticos". Um filme como o Shirkers que saiu o ano passado é bastante inovador e é normal que a maioria das pessoas não tenham interesse num filme assim. E os festivais de cinema estão cheios de longas-metragens que simplesmente não têm hipótese num ambiente comercial. Acho que a medida que os videojogos se vão desenvolvendo comecem a aparecer jogos que apostem em algo que 95% dos jogadores simplesmente não tenha interesse.
#15 G.E.R.M.A.N.

26 de Janeiro, 2019, 15:53

Podes dar exemplos desses jogos indies de grande qualidade que nunca ouviste falar? Eu não digo que não haja um ou dois, mas a quantidade de filmes excelentes que me passam ao lado é muito superior.

Esse dos excessivamente artísticos nem faz sentido gusema ou então não sei o que queres dizer com isso. Neste momento, já tendo visto milhares de filmes, o que eu procuro mais é originalidade, algo fresco e que não seja igual a tudo o resto e nunca ouvi falar nesse Shirkers, por exemplo. É preciso divulgação, a sorte do passa a boca. O Tangerine, por exemplo, teve a sorte de na altura toda a gente ter falado no gimmick do ser filmado com um iPhone e então muita gente acabou por ver o filme e secalhar perceber que era mais do que um simples gimmick.

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